Lionel Messi anunciou a aposentadoria da seleção argentina em um desfecho que confirma a virada de sua trajetória internacional. Saído de um período de críticas e vice-campeonatos — incluindo a Copa do Mundo de 2014 e duas Copas América (2015 e 2016) —, o atacante fecha o ciclo com a imagem de ídolo que antes lhe foi negada por parte da torcida.

A fase problemática ganhou um capítulo emblemático na Copa América de 2019, com a disputa acirrada contra o Chile e uma expulsão que simbolizou o desgaste de então. Em vez de encerrar ali sua relação com a camisa albiceleste, Messi resistiu, mudou a percepção pública e assumiu papel mais combativo e decisivo nos momentos-chave.

A reconquista veio em sequência: a Copa América de 2021 no Maracanã, que pôs fim a um jejum de 28 anos; a Finalíssima contra a Itália; e, sobretudo, a Copa do Mundo de 2022, que coroou um objetivo perseguido por décadas. Em 2024, outra Copa América completou o ciclo, mesmo com o drama pessoal da lesão que o deixou no banco e em lágrimas antes do gol decisivo de Lautaro Martínez.

Ao se despedir após a última participação em Mundial, na qual a Argentina não alcançou a consagração final diante da Espanha, Messi deixa uma marca rara: a transformação de um jogador brilhante em clube em referência também pela seleção. O legado público é de títulos e liderança, e o desafio agora é para a seleção: como preencher o vácuo técnico e simbólico que se abre com sua saída.