O North anunciou a contratação do espanhol Míchel Salgado como treinador para a temporada 2027 — ano em que o clube de Montes Claros fará sua estreia na Série D e disputará a Copa do Brasil. A chegada de um nome com repercussão internacional representa um salto de ambição para a SAF, mas também amplia a cobrança por resultados imediatos e exige investimentos rápidos em estrutura e elenco.
Aos 50 anos, Salgado tem no currículo uma década no Real Madrid (1999–2009), com 371 partidas oficiais e 11 títulos, entre eles duas Champions League e quatro Campeonatos Espanhóis. Pela seleção da Espanha disputou 53 jogos e esteve em competições como a Eurocopa de 2000 e a Copa do Mundo de 2006. Conhecido pela intensidade e apoio ao ataque, o ex-lateral traz experiência de alto nível ao futebol mineiro.
Desde a aposentadoria, Salgado se dedicou à formação de atletas e a projetos internacionais: fundou o Fursan Hispania nos Emirados Árabes, foi auxiliar de Javier Aguirre na seleção do Egito (2018–2019), atuou como diretor esportivo no Pafos, do Chipre — onde também comandou interinamente por 11 partidas — e integrou, a partir de 2024, programas de formação na Arábia Saudita. Ele possui a licença UEFA Pro.
O North é uma agremiação recente, criada em 2022, que subiu do Módulo II em 2025 e, na estreia da elite mineira em 2026, conquistou o Troféu Inconfidência e o troféu de campeão do interior, garantindo vagas inéditas no calendário nacional. A direção buscava exatamente um nome de alcance para dar visibilidade ao próximo ciclo.
A contratação tem efeito prático e simbólico: pode atrair patrocinadores, jogadores e atenção da mídia, mas também eleva custos e expectativas. Para transformar a visibilidade em desempenho, a SAF precisará ampliar comissão técnica, logística e prazos realistas de planejamento esportivo — demandas que serão testadas já na preparação para o estadual e nas viagens da Série D.
Em resumo, é um movimento que acelera o projeto do North, mas que cobra respostas concretas da diretoria. A chegada de Míchel Salgado coloca Montes Claros no mapa do futebol nacional — agora cabe à gestão converter o capital simbólico em estrutura e resultados.