Eleito o melhor goleiro do Campeonato Italiano nas duas últimas temporadas (24/25 e 25/26), Mile Svilar paradoxalmente não sente o gosto de uma convocação há cinco anos. O contraste entre o desempenho de alto nível pelos clubes e a ausência nas seleções revela um problema que mistura escolha pessoal, influência familiar e um enquadramento regulatório que acabou por neutralizar sua utilidade para Bélgica e Sérvia.

Nascido e formado na Antuérpia, filho de pai sérvio e mãe bósnia, Svilar percorreu todas as categorias de base da Bélgica até o sub-21. Em 2021, no entanto, aceitou convite da seleção sérvia — decisão atribuída em parte à pressão do pai, antigo goleiro — e fez sua estreia contra o Catar, entrando no segundo tempo. Foi o único jogo em que defendeu uma seleção profissional. Depois disso, manifestou o desejo de retornar à Bélgica, seu país de origem.

O nó vem da regra da Fifa citada no material-base: a opção por disputar partida pela equipe profissional selou sua situação e impediu a troca. O efeito prático foi deixar Svilar num limbo: a Bélgica não pode convocá‑lo e a Sérvia, após a tentativa de reversão, deixou de considerá‑lo como prioridade. A consequência esportiva é concreta: ele ficou de fora da Copa do Mundo de 2026 e também não integra listas recentes da Liga das Nações, embora a Bélgica busque alternativas diante da pausa de Courtois.

No clube, a trajetória segue ascendente — passagem por Anderlecht e Benfica e contrato com a Roma até junho de 2030 — mas isso não apaga o custo da indecisão. Há uma dimensão institucional nessa história: decisões apressadas ou mal assessoras sobre identidade nacional e elegibilidade podem desperdiçar talentos e criar problemas que a via jurídica nem sempre resolve. Até que uma solução apareça, o país e o jogador perdem: Svilar brilha nos gramados da Itália, mas permanece ausente do debate das seleções.