O governo argentino anunciou que decretará feriado nacional quando houver definição, por parte dos jogadores e da comissão técnica, da data para celebrar o vice-campeonato da Copa do Mundo. A afirmação foi feita pelo presidente Javier Milei em postagem na rede X, após a derrota diante da Espanha por 1 a 0 na prorrogação. Jogadores deixaram o estádio sem falar com a imprensa e imagens da entrega da medalha e de manifestações emocionadas — com Lionel Messi visivelmente abalado e o técnico Lionel Scaloni chorando em coletiva — deram o tom da noite.
Segundo o jornal Clarín, o governo já ordenou a remoção das pedras colocadas na Praça de Maio em homenagem às vítimas da pandemia, uma intervenção antecipada diante da possibilidade de concentração de torcedores nesta segunda-feira. Enquanto isso, multidões voltaram a se reunir no Obelisco, ponto tradicional de comemoração, aguardando o desembarque da delegação em Buenos Aires. A coordenação entre anúncio oficial e logística nas vias públicas expõe o impacto que a decisão sobre um feriado pode ter na cidade.
A medida de Milei busca acomodar uma celebração popular e evitar desordem, mas também coloca o Executivo no centro de um debate público sobre prioridades e uso do espaço público — sobretudo se se confirmar a retirada de memoriais. A indefinição sobre quando a festa ocorrerá mantém a agenda política tensa: a data só será oficializada quando os atletas e a comissão confirmarem o dia escolhido para as homenagens.
No curto prazo, a decisão tende a reforçar a visibilidade do governo diante de um momento de forte mobilização social, mas pode provocar questionamentos sobre escolhas administrativas e sobre a intervenção em locais simbólicos. Para a torcida, a expectativa é direta: ver os ídolos em Buenos Aires. Para Milei, o desafio será equilibrar a resposta a essa demanda popular sem abrir espaço para controvérsias institucionais ou desgastes políticos.