Millwall e West Ham voltam a se enfrentar neste sábado pela oitava rodada da Championship, em um dérbi de Londres que traz mais expectativa por tensões históricas do que pelo nível técnico. Os clubes não duelavam oficialmente há 14 anos; a rivalidade ultrapassa o campo e foi tema de filmes que registraram o universo das brigas entre torcidas.

A organização optou por marcar a partida para as 8h30 (horário de Brasília), estratégia já usada em outros clássicos para reduzir a presença de baderneiros e minimizar incidentes. A decisão ganha força após a divulgação de um vídeo em que um torcedor do Millwall ameaça o volante Tomáš Souček, do West Ham, afirmando que vai atacá‑lo durante o jogo. Autoridades do futebol local acompanham o caso.

O histórico de confrontos é longo: são 99 duelos oficiais, com ligeira vantagem do Millwall (38 vitórias a 34, além de 27 empates). Mas o desequilíbrio econômico também é claro: o West Ham passou as últimas temporadas na Premier League, enquanto o Millwall teve apenas duas aparições na primeira divisão, o que reforça que o dérbi se alimenta mais de identidade territorial do que de resultados recentes.

A rivalidade nasceu nas margens do Tâmisa, ligada a disputas de trabalho e território entre trabalhadores portuários no final do século XIX, e escalou durante as décadas de hooliganismo nas décadas de 1970 e 1980, com grupos organizados de ambos os clubes. As medidas legais e a modernização do futebol reduziram, mas não eliminaram, episódios graves: após o sucesso do filme Hooligans (2005), confrontos posteriores ainda resultaram em agressões e proibições a torcedores. O clássico deste fim de semana será um teste para a eficácia das medidas de segurança e para a capacidade de conter a violência fora das quatro linhas.