Primeiro brasileiro a vestir a camisa de um clube inglês, em 1987, Mirandinha voltou a ser notícia ao assumir a base do Genus, de Rondônia. Contratado pelo Newcastle por cerca de 900 mil dólares na época, o ex-atacante — que disputou 60 partidas e marcou 21 gols pelo clube inglês — chega agora para dirigir o time Sub-20 que encara o São Raimundo-RR pela primeira fase da Copa do Brasil, nesta quarta-feira (9), às 20h.

Em entrevista, ele recorda o salário “irrecusável” de 7 mil libras por semana e faz uma observação discreta sobre a distância entre sua época e o presente: brinca que hoje esse valor equivaleria ao vencimento de um Sub-20 na Inglaterra. O contraste não é inesperado: a Premier League concentra hoje boa parte das maiores folhas entre brasileiros no exterior — entre os 10 mais bem pagos da seleção, quatro atuavam na liga inglesa.

Mirandinha também revisita escolhas que definiram sua carreira: apesar de ainda ter contrato com o Newcastle, voltou ao Palmeiras por empréstimo em 1989 na esperança de disputar a Copa de 1990. A convocação não veio e, segundo o próprio, a sequência posterior foi de perda de brilho, com passagem por Portugal e o fim gradual da carreira como jogador. A frustração da época passou a integrar a narrativa que ele hoje transmite aos atletas que treina.

Aos 67 anos e com cerca de 30 anos de treinador no currículo, Mirandinha está em Rondônia há cinco meses após trabalhos que incluíram o 4 de Julho e projetos de base no interior de São Paulo. Ele diz acompanhar a Premier League e aponta semelhanças entre seu estilo e jogadores atuais, como Igor Thiago (Brentford, 52 jogos e 26 gols) e Vitor Roque (Palmeiras, 87 jogos e 27 gols). Mais do que reviver glórias, o ex-jogador busca transformar a experiência pioneira em ferramenta para formar atletas que sonham em sair do país.