Morreu neste domingo (13), em Belém, Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, dirigente que marcou o futebol paraense e nacional. Tinha 87 anos e estava internado há mais de seis meses em um hospital particular da capital do Pará. Segundo pessoas próximas, o estado se agravou por complicações relacionadas a uma cirurgia na cabeça realizada anos antes para retirada de um tumor. O velório começou às 13h, em capela particular na Avenida José Bonifácio, e o sepultamento está previsto para a manhã de segunda-feira em Ananindeua.
Natural de Monte Alegre, Nunes começou no Paysandu como conselheiro e diretor de futebol, participando da campanha do título da Série B de 1991. Em 1998 assumiu a presidência da Federação Paraense de Futebol (FPF), cargo que ocupou até 2016. Já na CBF foi vice-presidente e assumiu interinamente em 2016; entre fevereiro de 2017 e abril de 2019 exerceu a presidência de forma efetiva.
A passagem pela CBF inclui atos lembrados tanto pelo fortalecimento regional do futebol quanto por episódios polêmicos. Em 2018, na reunião em Moscou sobre a escolha da sede da Copa do Mundo de 2026, Nunes contrariou o acordo da Conmebol e votou no Marrocos — justificou o gesto afirmando acreditar que o voto seria secreto e que queria dar oportunidade ao país africano. Após sua saída, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro apontou indícios de falsificação de assinatura em documentos e questionou a capacidade cognitiva do ex-dirigente para manifestar sua vontade em atos societários, pontos que alimentaram discussões sobre governança na entidade.
A CBF divulgou nota de pesar e o atual presidente, Samir Xaud, manifestou condolências à família. O Paysandu também publicou comunicação oficial pedindo um minuto de silêncio antes de sua partida em Araraquara. A morte do Coronel Nunes fecha um ciclo de influência regional e nacional — deixando legado no Pará e ao mesmo tempo reabrindo dúvidas institucionais que ainda reverberam na condução e nas eleições da principal entidade do futebol brasileiro.