O motor Mercedes alcançou um marco histórico no sábado em Baku: com a vitória de George Russell no Grande Prêmio do Azerbaijão, a fabricante chegou a 252 triunfos e ultrapassou a Ferrari, que tem 251 vitórias. O número imprime um novo capítulo na disputa simbólica entre tradição e domínio técnico.

O contraste torna-se ainda mais notável pelos caminhos distintos. A Mercedes registra suas 252 vitórias em 664 Grandes Prêmios com motores próprios, enquanto a Ferrari acumulou 251 em 1.139 corridas — reflexo de trajetórias diferentes. A Mercedes estreou em 1954, com Juan Manuel Fangio vencendo quatro provas e o título, e interrompeu a participação depois do acidente de Le Mans em 1955, voltando apenas em 1995 como fornecedora da McLaren.

A trajetória recente foi decisiva para o avanço: a parceria com a McLaren rendeu a primeira vitória dos motores Mercedes em 1997, com David Coulthard na Austrália. Em 2009 a unidade de potência propulsou a Brawn GP a oito vitórias e aos títulos daquele ano; a montadora comprou a equipe e voltou oficialmente como construtora em 2010. Desde então, vitórias com quatro equipes somam: Mercedes (141), McLaren (101), Brawn GP (8) e Racing Point (1, com Sergio Pérez em Sakhir-2020). Entre outros fabricantes, Ford-Cosworth tem 176 vitórias e Renault 169.

O recorde alcançado em menos corridas que a rival expõe a eficiência e o impacto do investimento tecnológico da Mercedes nas últimas décadas, mais do que um confronto direto com a história centenária da Ferrari. É um retrato do momento — relevante para o legado técnico e para como a narrativa da F1 é contada hoje —, mas não uma sentença definitiva sobre a corrida entre marcas ao longo do tempo.