José Mourinho virou o principal assunto das capas esportivas na Espanha depois da derrota do Real Madrid por 2 a 1 para o Atlético, no dérbi da capital. Em vez de se concentrar apenas na análise tática do jogo, o treinador protagonizou a coletiva ao exibir folhas com imagens de dois lances que, na visão do clube, deveriam ter resultado em expulsões do adversário.
A reação da imprensa foi rápida e dividida. Em Barcelona, o Sport estampou uma manchete que classificou a atitude de Mourinho como desequilibrada, enquanto o Mundo Deportivo optou por um tom mais irônico, ressaltando o contexto da partida. Em Madri, jornais como Marca e As trouxeram as queixas do técnico para suas capas, mas em geral com uma abordagem menos agressiva em relação ao episódio e mais focada nas polêmicas do jogo e no papel do árbitro.
Os lances apontados pelo Real envolveram um pisão de Romero em Bellingham, que foi revisto à beira do campo pelo árbitro, e uma entrada de Lee que atingiu a canela de Valverde, sem indicação de revisão pelo VAR. No segundo tempo, o zagueiro Huijsen recebeu cartão vermelho e deixou o Real com um jogador a menos; o Atlético abriu 2 a 0 e só sofreu um gol no fim da partida. Mourinho também questionou a atuação da comissão de arbitragem da RFEF e a escolha dos árbitros para a partida.
A tática do treinador — transformar a coletiva em palco para expor imagens — ampliou a controvérsia e deslocou o debate para a própria credibilidade da arbitragem e do VAR. Mais do que comentar a derrota, a ação de Mourinho empurrou o assunto para um terreno institucional: a repercussão nos jornais aumenta a pressão por explicações da RFEF e mantém o tema em destaque na agenda esportiva nas próximas semanas.