O Ministério Público instaurou procedimento investigatório criminal para apurar a contratação, pelo Corinthians, da Mega Assessoria Operacional Ltda. O clube pagou R$ 676,6 mil à empresa entre julho e outubro de 2025, mediante três notas fiscais. A investigação questiona se houve irregularidade na contratação, já que a firma não teria autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada e não teria assinado contrato formal com o clube.

Constituída em 3 de julho de 2025, pouco depois do afastamento do então presidente Augusto Melo, a Mega está registrada em nome de Fernando José da Silva, gerente operacional do clube. Fernando afirmou em relatos públicos versões diferentes sobre quem solicitou a abertura da empresa — primeiro apontou o diretor administrativo e depois o presidente Osmar Stabile — fato que será investigado. As notas fiscais citadas pela promotoria têm sequência 01, 02 e 03 e incluem valores de R$ 244.627,66, R$ 208.350,00 e R$ 223.650,00.

O Corinthians defendeu a medida como uma resposta emergencial à invasão da presidência ocorrida em 31 de maio de 2025, afirmando que os pagamentos referem-se a serviços efetivamente prestados no Parque São Jorge, no CT Joaquim Grava e nas categorias de base, e que, ainda assim, não haveria conflito de interesses. A diretoria também afirma que, após a normalização do clima político, abriu processo de concorrência para nova contratação do serviço.

Para o promotor responsável, há indícios que justificam apurar crimes como furto de valores, falsidade ideológica e delitos tributários. O despacho menciona suspeita de 'retorno de dinheiro' por meio de notas fiscais e observa que o endereço da empresa tem fachada de residência. Depoimentos do gerente e do diretor administrativo já foram marcados para o dia 26, e o caso passa a ser um foco de risco reputacional para a gestão de Osmar Stabile, que terá de esclarecer as contradições apontadas pela investigação.