O Ministério Público de São Paulo abriu nova etapa de apuração sobre a gestão do São Paulo Futebol Clube e determinou a expedição de ofícios ao presidente do clube e a diversos dirigentes para que prestem esclarecimentos no prazo de 30 dias. A medida foi adotada pelo promotor Paulo Destro a partir de petição apresentada por uma advogada ligada ao movimento 'Frente Democrática em Defesa do São Paulo'.

Foram intimados, entre outros, o presidente Harry Massis Junior, o diretor-executivo de ESG, Riscos e Compliance Roberto Soares Armelin, o diretor de marketing Eduardo Toni e o ex-superintendente Márcio Carlomagno. Também foram solicitadas informações ao departamento jurídico e a outros membros da diretoria, que deverão encaminhar documentos e respostas dentro do prazo fixado pelo MP.

O Ministério Público determinou que dirigentes prestem esclarecimentos em 30 dias sobre questionamentos relativos à governança e ao uso da marca do clube.

A petição reúne questionamentos sobre governança e possíveis conflitos de interesse. Um dos pontos apontados é a omissão, em entrevistas do Programa de Integridade Corporativa apoiado pela KPMG, do vínculo conjugal entre a então diretora administrativa Érica Podadera e o superintendente Márcio Carlomagno — fato que, segundo a manifestação, poderia comprometer a transparência exigida em estruturas de compliance. Érica foi desligada do clube na última sexta-feira.

Há ainda menções a suspeitas divulgadas por blogueiros sobre um eventual aumento salarial de diretores envolvendo supostas fraudes em assinaturas; a petição sustenta que, se confirmadas, essas irregularidades poderiam caracterizar gestão temerária ou violação de deveres fiduciários. O MP pediu documentos que permitam verificar a regularidade dos processos decisórios e das autorizações internas.

Outro foco do procedimento é o uso da marca do clube em produtos divulgados por terceiros: o inquérito civil exige esclarecimentos de Jaqueline Meirelles sobre eventual contrato de licenciamento, autorização administrativa ou pagamento de royalties. A petição ressalta que a exploração da identidade visual do São Paulo é um ativo econômico e deve ocorrer por meio de instrumentos formais.

As respostas serão analisadas no âmbito do inquérito civil para verificar a existência de irregularidades administrativas e possíveis violações estatutárias.

O Ministério Público afirma que o objetivo é exercer fiscalização interna e controle da legalidade estatutária em associação civil de grande relevância social e econômica. Com a expedição dos ofícios, a diretoria terá de responder nos autos; as informações serão analisadas e podem definir se o inquérito civil avançará para medidas administrativas ou cíveis, além de ampliar pressão sobre a gestão em termos de credibilidade e governança.