O último clássico entre Botafogo e Flamengo, disputado em 14 de março no Nilton Santos, deixou marcas que vão além do placar: o Rubro-Negro venceu por 3 a 0, gols de Samuel Lino, Léo Pereira e Pedro, e aquela foi a última referência de um elenco que desde então se reorganizou de forma acelerada. Em uma semana, Martín Anselmi deixou o cargo; Rodrigo Bellão assumiu como interino e depois foi substituído por Franclim Carvalho — que também já não resiste à pressão. É um quadro de instabilidade de comando que se reflete no rendimento e na mensagem ao torcedor.

No plantel houve mudanças significativas: quatro titulares daquela partida — Raul, Bastos, Barboza e Newton — não estão mais no clube. Matheus Martins, que entrou no time naquele dia, está próximo de fechar com o Dínamo Moscou. A formação projetada para o clássico deste domingo aponta seis alterações em relação ao time de março: Gabriel Batista (com Warleson lesionado) no gol; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles na defesa; Huguinho, Medina, Danilo e Montoro no meio; Danilo Pereira e Arthur Cabral no ataque. Trocas assim frequentes complicam a construção de identidade tática.

Há também um custo de imagem: jogadores que viviam bom momento — à época Danilo figurava entre os principais nomes do Brasileirão, foi convocado e disputou a Copa do Mundo — hoje enfrentam vaias. Vitinho, que chegou a ser lembrado na pré-lista de Ancelotti, também tem tido recepções negativas. No meio desse turbilhão, o clube optou por segurar Montoro apesar de assédio europeu, adiando uma discussão que poderia gerar receita imediata, mas também perder um ativo promissor.

A direção ainda aposta em soluções de mercado: o anúncio de Tiquinho Soares foi recebido com ceticismo por parte da cobertura especializada, que questiona o encaixe e o custo-benefício da contratação para um time em fase de reconstrução. Mais do que reforços pontuais, o Botafogo precisa de estabilidade técnica e clareza de projeto para não transformar cada clássico em um termômetro de crise. Flamengo e Botafogo jogam às 16h (de Brasília) neste domingo, no Maracanã — um duelo que servirá para medir até que ponto as mudanças surtiram efeito.