O impacto cultural de 'Super Campeões' no Brasil nos anos 90 e 2000 é inegável: o anime ajudou a popularizar o sonho de jogar futebol entre crianças e a consolidar imagens inspiradoras. Entre as referências que alimentaram a criação do protagonista Oliver Tsubasa está Musashi Mizushima, um japonês que viveu quase dez anos nas categorias de base do São Paulo, no Morumbi.

Mizushima chegou ao Brasil ainda criança, fez testes em escolinhas paulistas em 1975 e acabou aceito nas categorias do Tricolor. Foram anos na base — do sub‑11 ao sub‑20 — e um único jogo oficial pelo chamado 'Expressinho', em 21 de abril de 1985 contra o Bragantino, antes de ser emprestado ao São Bento em 1986. Dados que mostram uma trajetória real e pouco convencional para um atleta asiático naquele período.

No Japão, Mizushima ganhou projeção como garoto‑propaganda da Mizuno: comerciais com o jogador em campo no Morumbi e imagens de sua rotina foram amplamente exibidos, com o slogan 'Se liga, Musashi'. A história também tem a marca do encontro com Pelé, que o viu ainda jovem no Japão e, segundo relatos da época, incentivou a família a tentar a chance no Brasil — uma ponte simbólica entre as escolas futebolísticas dos dois países.

Além da anedota pop que alimenta o imaginário do desenho, a presença de Musashi no São Paulo ajuda a explicar a influência recíproca entre Brasil e Japão no desenvolvimento do futebol japonês. Sua trajetória ilustra tanto o apelo comercial quanto o intercâmbio técnico-cultural que acabaram moldando personagens ficcionais como Tsubasa, reforçando o papel de clubes brasileiros como vitrines e formadores de narrativas globais do esporte.