Em entrevista de despedida da seleção uruguaia, o técnico Marcelo Bielsa revelou que o goleiro Fernando Muslera apresentou febre de 38°C na véspera do confronto com a Espanha, partida em que o Uruguai foi eliminado. Segundo o treinador, Muslera já não tinha febre no dia do jogo, mas a informação reabre questionamentos sobre o estado físico da equipe antes do duelo decisivo.

Muslera foi responsabilizado por ampla parcela das críticas após a falha que resultou no único gol da partida. Bielsa destacou que, diante do impacto emocional provocado pelos erros — que vieram também nas partidas anteriores contra Arábia Saudita e Cabo Verde — o atleta comunicou ter perdido condições psicológicas para seguir no segundo tempo e pediu para ser substituído. O treinador elogiou a postura do goleiro como um gesto de responsabilidade para com o grupo.

O técnico também contou que o atacante Federico Viñas teve febre na véspera e, por isso, começou no banco. Bielsa disse que, apesar de recuperado para o jogo, preferiu não escalá‑lo desde o início por considerar que não seria adequado colocá‑lo como titular naquele momento. A decisão indica cuidado médico e técnico, mas não impediu o desfecho negativo no grupo uruguaio.

A revelação de Bielsa sela um capítulo que combina fatores físicos e psicológicos na campanha uruguaia: o histórico de falhas de um veterano com status e a percepção de que limitações temporárias podem influir em partidas decisivas. Para o time, a eliminação ainda abre um debate sobre preparação, gestão de desgaste e sobre como a experiência em Mundiais não exime jogadores de oscilações que têm custo direto no resultado.