O Náutico precisava de algo além dos três pontos — e encontrou. A vitória por 3 a 1 sobre o Sport, nos Aflitos, trouxe mais do que uma recuperação no placar: devolveu postura ao time e alívio à tabela. Com 41 pontos, o clube fica em situação muito mais confortável na briga contra o rebaixamento, precisando somar apenas quatro pontos nas oito rodadas restantes para praticamente selar a permanência.

A troca de comando — saída de Hélio e Guilherme dos Anjos e chegada de Bruno Pivetti — teve efeito imediato sobretudo no nível de motivação. Com apenas um treino à disposição, Pivetti aplicou ajustes simples e eficazes: Ryan na lateral esquerda, Igor Fernandes deslocado à zaga e Derik como referência ofensiva. A alteração mais visível foi o posicionamento de Jean Carlos, mais próximo da área; o camisa 10 foi o principal jogador em campo, com um gol e participação direta nas demais jogadas de ataque.

Além do desenho tático, a recomposição de elenco chamou atenção. Jogadores até então à margem foram reintegrados, entre eles Paulo Sérgio, que voltou após quase quatro meses e ofereceu presença de área e liderança. A mudança de atitude depois do vexame por 3 a 0 para o Cuiabá — partida que precipitou a troca de comissão — foi clara: time aplicado, compacto e acreditando até o apito final. Ainda assim, a melhora representa um ponto de virada potencial, não a garantia de estabilidade.

O desafio imediato é outra pedreira: Fortaleza, no Castelão, na próxima sexta-feira. Mais do que o resultado, a pergunta é se o Náutico conseguirá manter a postura agressiva e a consistência defensiva nas rodadas finais. Se confirmar a evolução, o clube consolida a fuga e pode trabalhar com mais tranquilidade no planejamento; se oscilar, a troca de técnico e os sinais positivos perderão força e o time voltará a se expor em uma fase decisiva.