Às vésperas do jogo de volta das oitavas da Libertadores, marcado para quarta-feira às 21h30 no Maracanã, Ney Franco evitou apontar favorito e descreveu o confronto como parelho. Para o treinador, o Flamengo terá a obrigação de propor o jogo em casa, mas encontrará um Cruzeiro bem estruturado, com rapidez nas transições e atletas capazes de desequilibrar. Em sua avaliação, o Brasil estará bem representado por quem avançar, que sairá com moral elevado após um embate desse nível.

Mineiro de Vargem Alegre, Ney Franco tem na formação de jogadores um dos principais capítulos da carreira. Na Toca da Raposa, onde atuou mais de dez anos nas divisões de base, ele participou da revelação de nomes que chegaram à seleção e ao futebol europeu, como os goleiros Jefferson e Gomes, os laterais Maicon e Maxwell, o meia Gerson Magrão e o atacante Geovanni. Também esteve à frente do time na estreia de Fred, em 2004, quando já exercia papel de referência na estrutura cruzeirense.

A trajetória profissional levou Ney ao comando de times do interior, com destaque para o título mineiro de 2005 pelo Ipatinga, e depois ao Flamengo. Segundo o técnico, o convite para assumir o Rubro-Negro veio de forma inesperada nos vestiários do Maracanã, por iniciativa do dirigente Kléber Leite. Ainda no Fla, em 2006, ele optou pela confiança em jovens e escalou Renato Augusto na final da Copa do Brasil, decisão que acabou premiada com o título nacional.

Ney Franco também ressaltou a postura profissional que manteve quando foi interino do Cruzeiro. Em 2004, por exemplo, a vitória por 4 a 0 sobre o Vitória — resultado que beneficiou indiretamente o rival Atlético Mineiro na briga contra o rebaixamento — foi, segundo ele, fruto de preparação cuidadosa e compromisso da equipe. Para o duelo no Maracanã, o técnico acredita que pequenas variações táticas e o rendimento individual definirão quem segue na competição.