No aniversário de 20 anos do título da Copa do Brasil de 2006, Ney Franco voltou ao papel que quase não aparece nas fotos mais célebres da final: o estrategista. Foi sob seu comando que o Flamengo anulou o favoritismo do Vasco e conquistou o troféu por 1 a 0, com cenas que ficaram para a torcida — mas também com decisões de bastidor que definiram o desfecho.

A surpresa tática foi deliberada. Ney montou um 3-6-1 que, com a bola, virava 3-5-2 e liberava os laterais para atacar; improvisou Toró como volante e não teve receio em estrear Renato Augusto, apenas 18 anos, como titular numa final nacional. Ele também recorda da opção por privacidade ao trocar a Gávea pelo então modesto Ninho do Urubu — gestos de um treinador que vinha da base e tinha no Ipatinga menos de dois anos no profissional.

Foi meu passaporte

Mais do que um troféu, o título funcionou como catalisador na carreira. Ney aponta o bicampeonato como um divisor de águas que abriu portas internas e internacionais, e lista outros capítulos relevantes — da Sul-Americana com o São Paulo ao Brasileiro da Série B com o Coritiba e ao título mundial sub-20 pela seleção. 'Foi meu passaporte', disse, sintetizando o efeito profissional daquela conquista.

Os rumos mais recentes confirmam a oscilação comum na carreira de treinadores. Ney teve a primeira experiência fora do país no Al Hussein, da Jordânia, mas foi demitido por problemas internos antes que a equipe conquistasse o título. Hoje sem clube, ele privilegia um retorno ao futebol brasileiro, buscando vagas em clubes da Série A ou B com ambição real de acesso. A final de 2006 segue sendo o exemplo de que coragem tática e aposta na base podem transformar um resultado em legado.