A convivência entre Neymar e Jorge Jesus no Al‑Hilal foi curta e repleta de episódios que deram contorno polêmico ao projeto milionário do clube saudita. Anunciados na mesma janela de 2023, ambos chegaram com a expectativa de recolocar o Al‑Hilal no topo regional. Mas a sequência foi marcada por uma lesão grave do atacante na seleção, idas e vindas entre Brasil e Riade e declarações públicas do treinador que reacenderam o debate sobre o desgaste da relação.
Neymar estreou pelo clube em setembro e participou das partidas iniciais, antes de sofrer a lesão em outubro que levou à cirurgia em novembro de 2023. Passou meses no Brasil em recuperação e só voltou ao trabalho com o Al‑Hilal em abril de 2024. No seu período de ausência, a equipe de Jorge Jesus consolidou uma série de vitórias, alcançando sequência recorde, o que complicou a reentrada do camisa 10 na rotina de um time que havia encontrado estabilidade tática e resultados.
Jorge Jesus não poupou palavras em entrevistas: chegou a fazer comparações com Cristiano Ronaldo, destacando diferenças de postura, e em evento à seleção portuguesa recordou frase dura sobre o jogador — comentário que ganhou repercussão. Ao mesmo tempo, o técnico elogiou Neymar como atleta e pessoa em momentos isolados, revelando uma relação ambivalente entre reconhecimento técnico e cobrança pública.
Com limite de estrangeiros e a condição física de Neymar ainda sendo avaliada, o clube optou por não inscrevê‑lo inicialmente no Campeonato Saudita da temporada 2024/25, citando uma reavaliação prevista para janeiro de 2025. O atacante voltou a ser relacionado para partidas continentais em outubro, mas o episódio deixa em aberto o custo político e esportivo da contratação: um investimento alto em um jogador cuja disponibilidade ficou condicionada a fatores médicos e administrativos, enquanto o clube testou alternativas e manteve desempenho sem ele.