Neymar reapareceu no CT Rei Pelé e treinou com o elenco do Santos na segunda-feira, dois dias depois de ter deixado um treino sem autorização no fim de semana. O atacante foi relacionado para a partida da Sul-Americana contra a Universidad Central, nesta terça, na Vila Belmiro, mas deve começar no banco com objetivo de preservar o jogador para o jogo do fim de semana contra o Remo.

A reapresentação foi acompanhada pelo pai de Neymar, que também conversou com a presidência e a diretoria — registro que reforça o caráter de negociação interna diante do episódio. O clima ganhou contornos públicos após o empate com a Chapecoense, quando o camisa 10 teve comportamento que incomodou companheiros no intervalo, segundo apuração, com cobranças consideradas acima do tom a jogadores como Gabriel Bontempo e João Ananias. As partes negam as acusações.

O Santos decidiu não aplicar punição ao capitão, opção que privilegia a força do elenco em partidas eliminatórias, mas expõe um dilema de gestão: abrir mão de uma sanção em nome do rendimento imediato pode custar disciplina e confiança interna. Em treino, fotos mostraram Neymar ao lado de Bontempo, sorrindo, gesto que contrasta com relatos sobre o desentendimento.

Para a comissão técnica, a alternativa de segurar Neymar no banco é tentativa de equilibrar competitividade e gestão de vestiário. Resta medir agora se a escolha por leniência evitará desgaste esportivo — e institucional — ou se alimentará desgaste interno que pode reverberar em fases decisivas da temporada. Neymar segue negando as acusações e será observado de perto nas próximas partidas.