O retorno de Neymar ao Santos, após a decepção na Copa do Mundo, teve brilho individual e custo coletivo. O camisa 10 foi responsável pelos dois gols do Peixe no empate com a Chapecoense na Vila Belmiro e se destacou tecnicamente, mas a equipe de Cuca não aproveitou a produção ofensiva para somar os três pontos contra a lanterna do campeonato.

Em números, Neymar apareceu em nove das 20 finalizações do Santos, sofreu quatro faltas e teve 52 passes certos contra 18 errados. No primeiro tempo marcou um golaço após tabela com Barreal e, na etapa final, iniciou a jogada que originou o pênalti convertido por Gabriel Menino — cobrança que ele mesmo bateu com frieza. Na comemoração, fez referência às críticas recentes sobre sua participação em torneios de pôquer.

O que pesou foi a postura em campo: reclamações constantes à arbitragem, atritos com companheiros — com episódios de irritação após passes de Escobar e cobranças a Barreal — e um empurrão em um adversário, minutos depois de sofrer falta. A atitude rendeu o terceiro cartão amarelo e consequente suspensão: Neymar não enfrenta o Athletico-PR e só deve voltar ao Brasileiro no dia 16 de agosto, contra o Vasco. Ainda assim, segue previsto para atuar na terça-feira pela Copa Sul-Americana contra a Universidad Central.

O balanço é contraditório para o Santos: o talento individual manteve o time no jogo, mas a indisciplina retira o principal jogador do próximo compromisso do Brasileirão e evidencia uma lacuna de comportamento que o clube terá de gerir. Em campo, a cobrança por resultados cresce; fora dele, resta à comissão técnica transformar a produção em desempenho coletivo sem depender apenas das intervenções do camisa 10.