Com a temporada em risco, o Grêmio encara o Inter nesta quinta-feira, às 20h, na Arena, em busca de recuperação que passe obrigatoriamente pela Copa do Brasil. O empate sem gols no Beira‑Rio deixou tudo em aberto, mas também transformou o confronto em teste de caráter: avançar significaria oxigenar o ano, fracassar ampliaria a crise e elevaria a cobrança sobre o técnico Luís Castro e o elenco.

Para traçar o caminho a seguir, o clube ouviu a voz de quem já viveu a redenção: Nildo, autor do gol do título de 1994, relembra a campanha invicta daquela Copa e aponta elementos que julga essenciais agora. Mais do que esquema, ele pede identificação com a camisa, jogadores com perfil de entrega e uma atmosfera coletiva que cresça a cada fase — o mesmo combustível que levou o time de 1994 a sonhar com a Libertadores.

Nildo sugere atitudes práticas: pressão alta, disputa intensa por todas as bolas, menos reclamação e mais objetividade na criação de chances. No plano ofensivo, destaca a necessidade de municiar o centroavante Carlos Vinícius com cruzamentos e bolas de qualidade para finalização. São recomendações que combinam caráter, pragmatismo e entendimento do clássico: Gre‑Nal se resolve com inteligência, mas sobretudo com pegada.

Além do ajuste tático, o ex‑atacante enfatiza a importância de chamar a torcida para o lado do time. A Arena precisa se transformar em um ambiente que pressione o adversário e blindem os jogadores da dispersão emocional. A alternativa — repetir atuações apáticas e depender apenas de talento individual — expõe um elenco que, na avaliação de Nildo, hoje carece de identificação com a história do clube.

O recado é claro: a Copa do Brasil pode ser a rota de recomeço para um ano irregular, mas exige postura diferente. Se o Grêmio responder no campo com o espírito guerreiro reclamado por Nildo, avança e ganha fôlego; se mantiver a irregularidade exibida no Brasileirão, a eliminação terá custo político e esportivo, ampliando a pressão sobre a direção e a comissão técnica.