Aos 40 minutos do primeiro tempo, Nuno Moreira apareceu na área e marcou de cabeça contra o Corinthians, num momento que simboliza mais do que um gol: é o reencontro público com Fernando Diniz, técnico que elevou o meia quando chegou ao Vasco. A cena na Neo Química Arena trouxe, em poucos segundos, recordações da relação de altos e baixos entre técnico e jogador.
Contratado em fevereiro de 2025, vindo do Casa Pia, Nuno viveu o auge justamente com Diniz à frente do time — na temporada de 2025 acumulou 11 gols e sete assistências em 56 jogos. Com as saídas de nomes como Coutinho, Vegetti e Rayan, a aposta interna era que o português assumisse a referência ofensiva do time para 2026.
O que se viu, porém, foi uma inversão de expectativas. O começo de 2026 tem sido irregular para Nuno, marcado por perda de ritmo e por um episódio que ganhou dimensão fora do clube: em partida contra o Mirassol, Diniz repreendeu jogadores durante a parada para hidratação e a gravação viralizou. Internamente a cobrança era vista como rotina, mas a exposição incomodou o meia.
Com a chegada de Renato Gaúcho, Nuno acabou perdendo espaço: Johan Rojas ganhou sequência no time titular. Os números espelham a queda: em 2026 o meia tem apenas um gol e nenhuma assistência em 20 partidas. O gol contra o Corinthians, portanto, surge como um respiro, porém não apaga a necessidade de regularidade.
Politicamente dentro do elenco, a relação com Diniz continua sendo fator determinante para o voo de Nuno; esportivamente, o jogador precisa transformar lampejos em sequência para retomar o protagonismo esperado. O tento na Arena é um começo, mas também aumenta a cobrança por provas concretas de recuperação.