O circuito entre as divisões do futebol brasileiro teve, nas últimas décadas, exemplos de reviravolta impressionantes. Oito clubes — Chapecoense, Mirassol, Remo, Santa Cruz, Joinville, CSA, Cuiabá e Juventude — chegaram a disputar a Série D em algum momento e, com processos distintos, conseguiram atingir a elite. A Chapecoense, pioneira nesse percurso, fez a transição da Quarta Divisão à Primeira antes de o modelo de acesso se consolidar nacionalmente.

Nem todas as histórias, porém, têm final estável. O CSA, que completou 113 anos recentemente, é ao mesmo tempo inspiração e aviso: saindo da Série D em 2016 e alcançando a Série A em 2019, o clube viveu uma ascensão rápida que foi seguida por uma queda igualmente violenta — retorno à Série D em 2025 e duas frustrações nos mata-matas desta temporada. A materialização desse desequilíbrio tem sido atribuída, no clube, a uma grave crise política e a gastos além da capacidade.

O Joinville segue trajetória parecida: subida iniciada na Série D de 2010 e presença na elite em 2015, antes de novo declínio que o deixou de volta à Quarta Divisão; nesta temporada, o clube foi eliminado já na primeira fase. Outros percursos foram mais graduais — o Cuiabá subiu a passos mais lentos até estrear na Série A em 2021, enquanto Santa Cruz e Juventude reconstroem trajetórias com percalços e avanços intercalados. Mirassol e Remo figuram entre os que chegaram à elite e, hoje, servem de exemplos regionais.

O balanço é pragmático: a Série D pode ser campo fértil para reconstrução e descobertas, mas a experiência dos clubes listados destaca que promoção só se sustenta com governança, planejamento financeiro e estrutura. Nesta temporada também houve novos promovidos à Série C — Uberlândia, ASA, Gama, ABC, Goiatuba e Nacional-AM — que herdam a mesma lição: ascensões são possíveis, mas sem disciplina administrativa a queda pode ser rápida e dolorosa.