Chegou à Copa do Mundo quase desconhecido fora da América do Sul e, em questão de partidas, tornou-se referência. Orlando Gill, 26 anos e 1,98 m, foi decisivo no jogo contra a Alemanha — com duas defesas nas cobranças e o prêmio de melhor jogador da partida — e passou a liderar o ranking de goleiros da Fifa no torneio.

A trajetória, porém, não foi tranquila. Em 2022, quando jogava pelo Sportivo San Lorenzo e enfrentava o nascimento prematuro do filho, Lautaro, a família viveu aperto financeiro. Para ajudar em casa, Gill chegou a vender uma camisa de sua carreira por 35 dólares. O comprador mais tarde declarou vontade de devolver a peça após a atuação do goleiro contra a Alemanha.

No plano esportivo, a carreira também teve percalços. Contratado pelo San Lorenzo (Argentina) em 2024, passou um ano sem atuar devido à limitação de vagas para estrangeiros, até ganhar espaço em 2025 sob Miguel Ángel Russo. Mesmo em meio a atrasos salariais no clube, consolidou-se: foi titular em boa parte da temporada e terminou com 29 jogos sem sofrer gols em 59 partidas disputadas.

Na seleção, Gill superou a concorrência de Roberto 'Gatito' Fernández e manteve a confiança do técnico Gustavo Alfaro mesmo após a estreia difícil contra os Estados Unidos. Com 24 defesas no Mundial e o crédito das penalidades contra a Alemanha, chega às oitavas contra a França como a principal esperança paraguaia para repetir o feito e seguir dando sequência à ascensão.