Em 23 de agosto de 1987, a seleção brasileira de basquete escreveu uma página que mudou rumos do esporte internacional. Em Indianápolis, o time verde-amarelo derrotou os Estados Unidos por 120 a 115 na prorrogação e quebrou uma invencibilidade simbólica dos anfitriões em casa.
O desempenho de Oscar Schmidt foi o elemento definidor daquela partida: 46 pontos no placar e sete cestas de três pontos — parte das 10 convertidas pelo Brasil. Naquele período, arremessos de longa distância ainda não dominavam a estratégia como hoje, o que tornou a eficiência brasileira particularmente contundente.
O resultado e a forma como foi obtido acenderam debates imediatos sobre a evolução tática do jogo. Internacionalmente, a linha de três pontos havia sido adotada apenas três anos antes; nos EUA, a NBA já a usava desde 1979, e a liga universitária havia incorporado a novidade muito recentemente. A derrota americana, com uma equipe de universitários, expôs a necessidade de reavaliar a competitividade em nível global.
A consequência prática foi relevante: o episódio entrou no conjunto de fatores que levaram os Estados Unidos a priorizar a presença de profissionais em competições internacionais — desdobramento que culminou no Dream Team de 1992. Para o Brasil e para Oscar, a final de 1987 permanece como referência técnica e simbólica, um momento em que o arremesso de longa distância começou a ganhar centralidade no jogo.