Pablo López Vidal, 48, desembarca em São Paulo na manhã de quarta-feira para assumir o posto de assistente de Clarence Seedorf no Corinthians. Livre desde janeiro, quando deixou o Racing Ferrol, o espanhol vem para um trabalho de curta duração e alta pressão: ajudar a montar treinamentos, escalações e a estratégia para os oito jogos que restam no Brasileiro.

Natural de A Coruña, López construiu carreira como zagueiro em divisões menores da Espanha e iniciou a trajetória como técnico nas categorias locais após se aposentar em 2014. Passagens pela base do La Coruña o colocaram ao lado de Seedorf em 2017/18, temporada em que o clube acabou rebaixado. A relação entre os dois se aprofundou e levou López a integrar a comissão do holandês na seleção de Camarões em 2019.

Após a experiência africana, López dedicou-se aos estudos: obteve as licenças da Uefa, trabalhou em clubes de menor expressão e ministrou cursos de análise de desempenho na Federação Galega. Seu último emprego foi no Racing Ferrol, na terceira divisão espanhola, de onde saiu após seis meses. Em apresentação no clube, defendeu um estilo competitivo, atenção às transições e ligação com a torcida.

A contratação tem apoio da diretoria: o presidente Marcelo Paz afirmou que "identificamos que é um líder, um vencedor". Mas já registra críticas: o comentarista Lédio Carmona classificou a chegada como "uma contratação aleatória do Corinthians", observando que López tem currículo mais técnico do que experiência em ambientes de pressão equivalentes ao do clube paulista.

O fato é que a escolha expõe a diretoria e a própria comissão a um risco calculado. Trazer um assistente com licenças e formação, porém pouca vivência em grandes centros, é uma aposta que pode render no trabalho tático e analítico — ou se revelar insuficiente diante do cenário de crise institucional, esportiva e financeira, em que cada ponto passa a ter peso político e econômico.