O Palmeiras carimbou a vaga na semifinal da Copa do Brasil mesmo sem produzir o futebol mais convincente do torneio. Depois de vencer por 3 a 0 no Allianz, o time de Abel Ferreira segurou um 0 a 0 na Vila Belmiro e garantiu presença pela décima vez nas semifinais da competição. A leitura do duelo é clara: planejamento defensivo e gestão de elenco cumpriram o objetivo, enquanto a eficácia ofensiva voltou a faltar.

Abel fez rodagem: Gómez foi preservado, Barboza entrou na escalação, e Vitor Roque começou no banco — o atacante, apontado no material-base como fora de forma, foi acionado no intervalo. A primeira etapa mostrou o Palmeiras ainda ajustando a compactação e, até os 33 minutos, havia apenas 38% de posse e três finalizações. Mesmo assim, o time conseguiu neutralizar as principais referências adversárias graças à marcação intensa.

A solidez defensiva teve nomes em destaque: Giay, com seis desarmes, diminuiu o impacto de Neymar pelo lado; Arthur somou dez desarmes pelo corredor oposto; e Lucas Evangelista fez um desarme decisivo dentro da meia-lua. No entanto, o problema voltou a ser a finalização. Maurício, Giay e Vitor Roque desperdeceram oportunidades claras — o atacante teve cabeceio para fora aos 11 do segundo tempo — o que deixou o empate em aberto até o apito final.

Com a classificação praticamente assegurada pela vantagem da ida, Abel preservou atletas usados em excesso durante a temporada, promovendo entradas como Emiliano Martínez para dar descanso a Marlon Freitas, além de mudanças para reequilibrar o meio e a frente. O resultado mantém o Palmeiras vivo nas três competições que disputa e invicto em clássicos estaduais em 2026, mas também expõe uma necessidade objetiva: transformar supremacia tática em maior eficiência ofensiva quando o calendário apertar.