Pelo segundo jogo consecutivo no Campeonato Brasileiro, a comissão técnica do Palmeiras optou por não conceder coletiva após a vitória por 1 a 0 sobre o Athletico-PR. Assim como no Dérbi Paulista, apenas os jogadores falaram na zona mista; a ausência deliberada dos membros da comissão é apresentada internamente e externamente como um gesto de solidariedade a Abel Ferreira diante da punição do STJD.
O treinador foi condenado em segunda instância a cumprir sete partidas de suspensão por expulsões nos jogos contra Fluminense e São Paulo. Até o momento Abel cumpriu quatro dessas partidas no Brasileirão; a sanção, porém, não alcança jogos pela Copa do Brasil ou Libertadores, competições nas quais estará liberado para comandar a equipe no banco. O técnico evitou se aprofundar publicamente sobre o tema após o jogo contra o Sporting Cristal, dizendo que não tinha mais o que acrescentar ao episódio.
A direção do clube reagiu com críticas ao julgamento. Anderson Barros, diretor de futebol, acompanhou a sessão no STJD e classificou a decisão como equivocada, enquanto o Palmeiras enviou ofícios à CBF questionando diferenças de tratamento e decisões da entidade. No entendimento do clube há um sentimento de punição sem precedente e de tratamento desigual, postura que motivou a resposta institucional e o silêncio coletivo nas entrevistas.
O afastamento temporário da comissão das coletivas reforça o atrito entre o clube e as instâncias disciplinares e expõe uma estratégia de pressão institucional. O gesto comunica insatisfação pública e pode aprofundar o desgaste do ambiente regulatório, obrigando o Palmeiras a transformar um litígio esportivo em disputa também de narrativa. Abel só retorna ao banco no Brasileiro em 16 de maio, contra o Cruzeiro, enquanto o próximo jogo é a estreia na Copa do Brasil contra o Jacuipense, em que poderá estar presente.