Abel Ferreira encara uma decisão que mistura futebol e estratégia institucional: entre poupar jogadores na viagem ao Paraná para enfrentar o Athletico e preservar forças para a semifinal da Libertadores contra o Fluminense, marcada quatro dias depois. A escolha tem impacto direto na corrida pelo Brasileiro e é alinhada à prioridade pública da diretoria e da presidente Leila Pereira.
O elenco traz limitações que moldam a opção técnico-tática. Gustavo Gómez e o lateral Giay cumprem suspensão na rodada; Vitor Roque é dúvida por entorse no tornozelo; Jefté foi afastado após teste positivo para substância proibida. Para a lateral e a defesa, as alternativas citadas pela comissão são Khellven, Benedetti ou uma alteração de esquema.
“O desgaste físico é evidente, tivemos um jogo dois dias antes (contra o Corinthians) com toda a carga emocional que tem, acaba por ter um desgaste” — Vitor Castanheira
O risco esportivo e político pesa sobre Abel. O time foi colocado em situação semelhante no ano passado, quando a opção por preservar titulares na reta final do Brasileiro para priorizar a Libertadores terminou com a perda de ambos os títulos — um precedente que complica qualquer decisão desta vez. Manter força máxima preserva a chance de recuperar a liderança, hoje um ponto atrás do Flamengo.
Além da carga física, citada pela comissão, a logística também é apertada: reapresentação em São Paulo, avaliações e embarque na véspera do jogo no Paraná. Optar por poupar claramente reduz o desgaste para a semana decisiva da Libertadores; optar por ir com o que tem mantém a disputa pelo Brasileiro acesa, mas aumenta o risco de chegar à semifinal com desgaste e menos margem de erro. A direção e a comissão técnica terão de justificar o caminho escolhido diante dos resultados.