O Palmeiras reviveu uma noite perfeita no Maracanã e, com autoridade, reduziu o ruído em torno do treinador Abel Ferreira. A vitória por 3 a 0 sobre o Flamengo não foi apenas um resultado: quebrou um tabu de 11 anos em vitórias no Rio pelo Brasileiro e devolveu ao time a vantagem na tabela antes da parada para a Copa do Mundo.
O jogo começou tenso para os paulistas. Abel havia repetido a formação com três volantes e o time, inicialmente, sofreu com a pressão rubro-negra; o goleiro Carlos Miguel apareceu bem para segurar o ímpeto adversário. A expulsão de Carrascal virou ponto de inflexão: com um homem a mais, o Palmeiras encontrou espaço, mas só deslanchou quando a construção saiu de Marlon Freitas para Allan e terminou em Flaco López, o nome decisivo da noite.
No segundo tempo, a equipe manteve a paciência que faltara nas partidas anteriores e explorou os contra-ataques com eficiência: Allan e Paulinho marcaram em jogadas que castigaram o Flamengo por se expor à frente. Foi um futebol pragmático, funcional, que cumpre a obrigação diante de um rival qualificado — e que, sobretudo, trouxe alívio ao comando técnico após semanas de questionamento.
O efeito político do resultado é imediato: Abel freia a escalada da cobrança e o clube entra no recesso do calendário nacional na liderança. Resta, porém, uma exigência concreta para completar a reconciliação com a torcida: garantir a classificação às oitavas da Libertadores. Só com esse desfecho o triunfo no Maracanã terá sido mais que um respiro momentâneo.