O Palmeiras chega à reta final da temporada com um trabalho tático que pode alterar sua identidade em campo. Desde o Mundial, o time disputou 18 partidas — dez delas com três zagueiros e oito com linha de quatro — e Abel Ferreira tem flutuado entre as duas soluções. A última partida, contra o Grêmio, voltou ao sistema com quatro defensores e rendeu volume ofensivo (29 chances), mas o empate em 0 a 0 mostrou que criação nem sempre se traduz em eficiência no placar.

A mudança que Abel testa privilegia um meio mais compacto: Marlon Freitas e Lucas Evangelista formariam a dupla de volantes, com Andreas Pereira atuando aberto pelo lado esquerdo do meio. No ataque, a ideia colocaria Flaco López e Vitor Roque como referência. Na hipótese do trio de zagueiros reaparecer, Barboza e Murilo alternariam com Gustavo Gómez como central. A opção por Evangelista, em especial, indica uma busca por controle de bola e equilíbrio sem abrir mão da intensidade ofensiva.

Durante a pausa da Data Fifa, o clube não fez jogos-treino e usou o período para ajustes táticos, mesmo sem oito jogadores que estiveram com seleções. Gustavo Gómez, Giay, Piquerez, Emiliano Martínez, Arias, Sosa, Mauricio e Flaco López têm retorno previsto até a tarde de quarta-feira e passarão por avaliação do Núcleo de Saúde e Performance antes de serem liberados. A avaliação médica e física será decisiva para definir quem terá condições de integrar as rotações planejadas.

A agenda que vem pela frente aumenta o grau de exigência: o Palmeiras recebe o Bahia no Nubank Parque na quinta e abre uma sequência de dez jogos em 30 dias — incluindo clássico contra o Corinthians e visita ao Fluminense, no Maracanã, pela Libertadores. A apenas três pontos do líder do Brasileiro e com vaga nas semifinais de Libertadores e Copa do Brasil, o Verdão precisa conciliar experimentos táticos com gestão de desgaste. A capacidade de Abel em rodar o elenco e a condição dos retornos podem ser determinantes para manter a disputa pelos três títulos.