A ausência de Vitor Roque, confirmado por cirurgia no tornozelo esquerdo e previsão de retorno somente após a Copa do Mundo, abre uma lacuna imediata no Palmeiras. Autor de 20 gols na última temporada e vice-artilheiro do clube neste ano com seis tentos, o atacante vinha sendo peça-chave e chegou a atuar no sacrifício nas finais do estadual. A notícia impõe ao técnico Abel Ferreira o desafio de redesenhar o setor ofensivo por pelo menos dois meses decisivos do calendário.
No elenco, nenhuma opção reproduz exatamente o perfil físico e de velocidade de Roque. O jogador paraguaio traz profundidade e se adaptou a função de segundo atacante, mas não sustenta o confronto físico nem faz o pivô que caracterizam o camisa 9. Sosa, por sua vez, tem sido alternativa e atua mais como meia de chegada, o que altera a dinâmica de movimentação da dupla e exige ajustes táticos do treinador.
Há ainda opções internas com perfis distintos: Mauricio, formado na base, tem recebido chances mas não repetiu atuações de destaque; Luighi, de 19 anos, é mais referência de área e considerado em desenvolvimento, o que o coloca atrás na disputa por titularidade. Paulinho, que passou por nova cirurgia na perna direita e treina com o grupo, segue sem prazo definido para reestreia — um complicador para a recomposição imediata do ataque.
Com a janela de transferências fechada, a solução passa por improvisação e reorganização tática até o período de contratações. O clube já sinaliza interesse em nomes como Barboza e Nino para a próxima janela, mas, no curto prazo, a situação expõe a fragilidade do planejamento e aumenta a pressão sobre Abel e a diretoria: manter competitividade sem o artilheiro exigirá correções rápidas e escolhas que podem pesar no desempenho nas próximas semanas.