O presidente do Vasco, conhecido como Pedrinho, saiu da reunião na CBF sobre a proposta de uma liga única nesta segunda-feira em tom de confronto. Ele direcionou críticas tanto a Luiz Eduardo Baptista, mandatário do Flamengo, quanto a John Textor, da SAF do Botafogo, e deixou claro que o debate entre clubes está longe de ser apenas institucional.
Sobre Bap, Pedrinho qualificou o tom do adversário como prepotente e arrogante e reagiu às insinuações que, segundo ele, ligaram o empréstimo da Crefisa à atuação esportiva do Vasco — em especial à derrota por 3 a 0 para o Palmeiras. Para o dirigente cruz-maltino, colocar em dúvida o caráter do presidente, do treinador e de 30 atletas é uma acusação grave que ultrapassa a crítica esportiva.
Ele insinuou que eu perdi o jogo por causa de um empréstimo, como se isso colocasse em dúvida o caráter do clube e dos jogadores.
No campo das SAFs, as críticas foram direcionadas a Textor. Pedrinho lembrou do episódio em que a estrutura social do Vasco reconquistou o controle após a saída da 777 e usou o exemplo para alertar sobre os riscos que investidores podem trazer quando a intervenção financeira não se traduz em governança saudável. Ele afirmou que investidores podem agravar fragilidades e gerar prejuízos a clubes já apertados financeiramente.
A fala do presidente do Vasco também tocou na viabilidade prática da liga: na avaliação dele, os clubes hoje não têm estrutura consolidada para gerir uma competição sob controle coletivo. Essa falta de confiança entre dirigentes, somada a episódios de confrontos públicos e a receios sobre conflitos de interesse, reduz a margem para construir um projeto de governança compartilhada, ponto central da proposta apresentada na CBF.
Pedrinho preferiu não detalhar negociações sobre venda de SAFs ou apontar nomes de investidores, dizendo que aguardará mais informações antes de se aprofundar. Ainda assim, o recado foi claro: sem regras contratuais rígidas e mecanismos de fiscalização, o projeto de liga corre o risco de ficar preso a disputas pessoais e a decisões que não privilegiam a sustentabilidade dos clubes.
Os clubes hoje não têm estrutura para organizar uma liga; investidores mal calibrados podem causar dano imenso a um clube.