Um incidente dramático no China GT, em Xangai, na tarde de sábado (5), terminou com um resgate improvisado e uma corrida encerrada. Após uma batida que deixou o carro do britânico Ollie Millroy em chamas, o holandês Loek Hartog interrompeu sua participação e correu para o local. Sem a imediata presença de fiscais de pista ou brigada de incêndio nas proximidades, Hartog conseguiu destruir uma das portas, usar um extintor e retirar Millroy das ferragens, que saiu consciente, apesar dos ferimentos.
Horas depois, Millroy publicou nas redes sociais o balanço das lesões: múltiplas costelas fraturadas, clavícula, uma mão e um dedo quebrados, além de contusão pulmonar. Em mensagens de agradecimento, o britânico atribuiu ao colega a diferença entre a vida e um desfecho mais grave, prometendo carregar a história e a dívida de gratidão para sempre. A narrativa pública sublinha a gravidade do ocorrido e o papel central da intervenção imediata de Hartog.
Hartog descreveu o que viu como uma cena em que não restou margem para hesitação: um veículo tomado pelo fogo e a impressão de que o piloto não sairia sozinho. Ao parar e agir, afirmou ter seguido um instinto de prioridades humanas que ultrapassa a busca pelo resultado esportivo. A atitude foi amplamente reconhecida por equipes e espectadores, mas também expõe o risco assumido por um competidor ao suprir uma falha de resposta no circuito.
A FIST Auto, equipe de Millroy, anunciou que não participará de novas provas do China GT até que haja revisão das normas e procedimentos de segurança. No calor da transmissão, organizadores chegaram a afirmar que os pilotos haviam saído por conta própria, versão contestada à medida que surgiram imagens e relatos do resgate. O episódio encerrou a prova e deixa uma cobrança clara: além do heroísmo individual, é preciso melhorar coordenação e equipamentos de pista para evitar que pilotos tenham de socorrer adversários em situações que deveriam ser de resposta profissional.