A eliminação ficou mais próxima. O Botafogo sofreu nesta semana uma goleada por 6 a 1 para o Cienciano em partida disputada em altitude e protagonizou a pior derrota de um clube brasileiro em jogos oficiais em cidades altas. O resultado praticamente encaminha a vaga do time peruano nas quartas da Sul-Americana e coloca o Glorioso diante de uma recuperação que, segundo a história das competições da Conmebol, nunca aconteceu.

A vitória do Cienciano teve hat-trick de Succar, dois gols de Bandiera e um tento de Martinich; Matheus Martins marcou o gol de honra do Botafogo. O placar amplo escancara deficiências físicas e posicionais do time carioca: em ambientes com ar rarefeito, a dificuldade em ajustar ritmo de jogo e proteção aérea costuma ser decisiva — e foi explorada pelos anfitriões.

O episódio entra em uma lista que inclui episódios memoráveis e traumáticos para clubes do país. Em 2020, o Independiente del Valle aplicou 5 a 0 no Flamengo em Quito; em 2022, o The Strongest venceu o Athletico-PR por 5 a 0 em La Paz — derrota que custou o cargo de Fábio Carille ao comando do Furacão. Há ainda o 5 a 1 da LDU sobre o Fluminense na final da Sul-Americana de 2009 e o 5 a 1 do Real Potosí contra o Cruzeiro em 2008, em Potosí, cidade a quase 4.000 metros de altitude, onde a Raposa chegou apenas duas horas antes.

A repetição desses resultados revela um problema estrutural: além da vantagem física dos anfitriões, clubes brasileiros nem sempre ajustam logística, preparação e estratégia para partidas em locais extremos. Para o Botafogo, a consequência imediata é esportiva — a vaga ameaçada — e política: aumenta a pressão sobre diretoria e comissão técnica por respostas rápidas. No campo mais amplo, o episódio reforça que a conquista de estabilidade continental passa por planejamento e adaptação, não apenas por escalação nominal.