Andrea Pirlo confirmou em comunicado que foi informado de que a Federação Italiana de Futebol (FIGC) não o indicará para o comando da seleção. A decisão coloca fim à terceira tentativa da diretoria técnica de reconstruir a Azzurra após a eliminação que deixou a Itália fora de mais uma Copa do Mundo, e transforma uma escolha esportiva em episódio de desgaste institucional.

O caminho até a recusa foi tortuoso: Paolo Maldini e seu assessor Leonardo sondaram nomes de peso — Carlo Ancelotti foi procurado e Pep Guardiola teria declinado — antes de avançar sobre Pirlo. A polêmica que interrompeu o processo teve origem em uma parceria comercial do treinador enquanto trabalhou nos Emirados Árabes Unidos, ligada a uma casa de apostas com conexões russas.

A ligação com a empresa russa e o vínculo do clube que Pirlo dirige, o United FC, com empresários do país despertaram críticas, sobretudo no meio político, em um momento em que a Itália mantém postura contrária à invasão da Ucrânia. O episódio obrigou o presidente da FIGC, Giovanni Malagò, a reavaliar publicamente a contratação e a contabilizar riscos de imagem para a seleção.

No comunicado, Pirlo defendeu que a parceria tinha natureza comercial e esportiva e negou motivações políticas, agradecendo a Maldini e a Leonardo. Ainda assim, a retirada da candidatura acentua a crise da seleção: além da falha esportiva em não se classificar, a federação enfrenta agora desgaste político e uma necessidade urgente de recuperar credibilidade e plano técnico claro.