A Ponte Preta sofreu nova humilhação: derrota por 6 a 0 para o Londrina, a segunda vez com esse placar na Série B, que transforma em números o colapso vivido pelo clube. Em 38 partidas, foram 77 gols sofridos; na temporada, 30 derrotas, apenas três vitórias e cinco empates. O placar não é só um resultado ruim: é o retrato de um time incapaz de competir em nível profissional.
No campo, a equipe do técnico Marco Antônio Eberlin convive com problemas que vão além da tática. A sequência de 22 jogos sem vencer, inédita na história recente da competição, escancara um elenco sem confiança e sem repertório ofensivo — a Macaca marcou apenas 20 gols em 38 partidas. Falta qualidade e falta condição de trabalho, reflexo de escolhas equivocadas na montagem do elenco.
Fora de campo, a gestão agravou o cenário. Luiz Torrano, que assumiu a direção executiva neste ano após ser apontado como alternativa desde 2022, encara agora um desastre esportivo que mistura responsabilidades atuais e erros históricos. A disputa interna entre grupos e a lembrança de que oposicionistas também integraram gestões anteriores tornam a saída política complicada — culpas e omissões se entrelaçam, sem respostas claras para o torcedor.
Jogadores foram colocados em situação vulnerável por atrasos, saídas e falta de estrutura, e a rotina da torcida virou acompanhar brigas de bastidor enquanto o time é sucessivamente goleado. A Ponte precisa de uma reestruturação séria em 2027: reconstruir departamento de futebol, ajustar a governança e reconquistar o torcedor. Sem mudanças profundas, o prejuízo será estrutural e de longa duração.