A crise financeira da Ponte Preta ganhou contornos humanos em reportagem do Globo Esporte: além dos balanços, os frequentes atrasos nos vencimentos desde 2025 estão mexendo com a vida de quem mantém o clube em operação. Jogadores e funcionários relatam perda de estabilidade, endividamento e desgaste emocional.
O massagista Dauller Luiz, que deixou recentemente a estrutura de base, conta que recebeu o último pagamento em fevereiro de 2025. Com meses sem salário, acumulou dívidas de condomínio e teve de retirar o filho da escola particular. Para driblar a falta de renda, passou a oferecer atendimentos particulares e dar aulas de massagem.
Outro funcionário ouvido prefere não se identificar e descreve uma rotina de contenção extrema para pagar contas básicas. Advogado que representa ex-atletas e ex-funcionários aponta que jogadores chegaram a aceitar trabalhos como motorista de aplicativo e que há dezenas de ações na Justiça. A saída precoce de atletas após a campanha da Série C — e casos como a rifa pública de objetos de jogo — ilustram o desgaste.
A diretoria, por meio do diretor jurídico, afirma que os pagamentos administrativos estão praticamente em dia, admite que o 13º não foi quitado integralmente e diz negociar dívidas do departamento de futebol caso a caso, com expectativa de solução em curto prazo. O quadro, porém, expõe falhas de gestão e aumenta a pressão sobre a direção: além do custo judicial, há risco de desestruturação do elenco e de perda de confiança de funcionários e torcedores.