O duelo entre Argentina e Suíça nas quartas de final desta Copa chega com um pano de fundo institucional: a Suíça abriga a Fifa desde 1932, quando a entidade deixou Paris. Além da posição geográfica favorável no centro da Europa, fatores econômicos e regulatórios explicam a permanência de mais de oito décadas.

Dos anos 1920 vem a lei que reforçou o sigilo bancário suíço; em conjunto com isenções fiscais e baixa intervenção estatal, esse ambiente transformou o país em polo para organizações sem fins lucrativos do esporte. Comitê Olímpico Internacional, dezenas de federações e tribunais desportivos escolheram Zurique como base.

A presença rende: relatório da AISTS de 2021 estimou retornos da ordem de 10 bilhões de francos suíços entre 2014 e 2019 (aproximadamente R$ 60 bilhões) em impostos, turismo e consumo associados. Mas o modelo também expõe fragilidades. O Fifagate de 2015 — com prisões em um hotel de Zurique por ação do FBI — trouxe para a cidade o centro das investigações sobre corrupção no futebol.

Desde então, a Fifa estudou alternativas e abriu escritórios globais (Rio de Janeiro, Miami, Paris, Singapura), sem, porém, abandonar a sede suíça. O resultado é ambivalente: estabilidade administrativa e vantagens fiscais convivem com custo reputacional e a necessidade de demonstrar governança mais robusta — enquanto em campo a Suíça tenta transformar esse cenário em vantagem esportiva.