A seleção de Portugal começou a preparação para a Copa do Mundo de 2026 com uma escolha atípica: uma lista final de 27 convocados que inclui quatro goleiros. Diogo Costa, José Sá e Rui Silva formam o trio titular esperado; Ricardo Velho junta-se ao grupo como reserva extra. A opção respeita o regulamento da Fifa, que prevê pelo menos três goleiros no elenco, mas também prevê tratamento específico para substituições de arqueiros durante o torneio.

O artigo 24.3 do regulamento permite que uma equipe substitua um goleiro a qualquer momento da Copa em caso de lesão, diferindo do prazo de 24 horas antes da estreia que vale para jogadores de linha. É essa exceção que motivou Martínez a ampliar a lista. Velho não pode, formalmente, figurar no banco de reservas nos jogos, mas treina com a equipe e está à disposição caso Costa, Sá ou Rui Silva sofram problema físico durante a competição.

A estratégia não é isolada: entre as seleções já divulgadas, Argélia e Egito também anunciaram quatro goleiros. Portugal iniciou o ciclo de preparação com 23 jogadores, enquanto Vitinha, João Neves, Nuno Mendes e Gonçalo Ramos — os quatro do Paris Saint-Germain — se apresentarão após o amistoso contra o Chile, marcado para 6 de junho. O país integra o Grupo K da Copa, com Colômbia, RD Congo e Uzbequistão; a estreia será contra os congoleses, em Houston, no dia 17 de junho às 14h (horário de Brasília).

Do ponto de vista técnico, a convocação é uma medida pragmática: garante cobertura para a posição mais sensível sem violar o teto de seleção. Politicamente e administrativamente, é também um sinal de que as seleções estão usando a margem regulatória para reduzir riscos em um campeonato de alta intensidade. Resta ver se a alternativa será acionada ou ficará apenas como precaução ao longo do torneio.