O prazo para a Eagle Bidco — empresa vinculada ao americano John Textor — decidir se vai exercer o direito de preferência sobre as 200 milhões de ações emitidas pela SAF do Botafogo termina neste sábado, 24 de outubro. Caso não cumpra o aporte previsto, a participação da Eagle será severamente diluída e o clube associativo passará a deter o controle quase total da sociedade.

Na Assembleia Geral Extraordinária de setembro foi aprovado o aumento do capital com emissão de 200 milhões de ações ordinárias Classe B. O presidente do Botafogo associativo, João Paulo Magalhães Lins, sinalizou interesse em subscrever 51% desse lote — ou 102 milhões de ações — e o clube social efetivou um pagamento de pouco mais de R$ 1 milhão no dia seguinte. O edital da AGE deu à Eagle 30 dias corridos para exercer sua prioridade; a administradora judicial da Eagle, Cork Gully, fez contatos e pediu esclarecimentos, mas não houve, até a véspera do término do prazo, avanço efetivo na compra das ações.

Se a Eagle renunciar à aquisição, haverá sobra das ações e o clube associativo poderá incorporar o restante em até cinco dias úteis. No cenário mais direto, o BFR chegaria a cerca de 99,18% das ações, enquanto a Eagle ficaria com 0,82%, segundo projeções divulgadas. Essa configuração torna muito mais simples a transferência de controle — inclusive a venda já anunciada à GDA Luma, de Gabriel de Alba — sem necessidade de acionar mecanismos como o drag along, que obrigaria minoritários a vender sob certas condições.

O desfecho do episódio, que acontece enquanto o time entra em campo contra o Internacional no Beira-Rio (Botafogo é 11º com 39 pontos), tem implicações claras para a governança e para a futura negociação da SAF. A possibilidade de diluição de um investidor estrangeiro destaca fragilidades no acompanhamento do aporte e acende alerta sobre a estratégia de gestão e de venda do clube, pressionando a diretoria por maior transparência e por decisões que deem segurança aos sócios e ao mercado.