Há 50 anos, o Brasil anotou sua primeira medalha em Jogos Paralímpicos: a prata conquistada por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa no lawn bowls, em Toronto, no dia 6 de agosto de 1976. As peças que marcaram aquela trajetória foram exibidas em homenagem no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, onde familiares participaram do resgate simbólico do feito.
Parentes lembraram que a conquista nasceu em um cenário sem políticas públicas consistentes para o paradesporto. Noêmia Almeida, criada como filha por Robson, ressaltou que a presença do esporte nas TVs e estruturas atuais decorre da batalha de nomes do passado, que saíam em busca de recursos, uniformes e viagens para representar o país.
Robson foi fundador do Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, em 1958, e utilizou a indenização do acidente que o deixou paraplégico para montar a instituição. Luiz Carlos, o 'Curtinho', foi um dos atendidos e formou com Robson uma dupla que passou do basquete em cadeira de rodas ao lawn bowls, modalidade semelhante à bocha. Na final do Etobicoke Lawn Bowling Club, a prata brasileira ficou atrás da Austrália, representada por Eric Magennis e Bruce Thwaite.
O episódio de 1976 ganha peso diante da evolução do paradesporto: o Comitê Paralímpico Brasileiro foi criado em 1995, a inclusão na Lei Pelé e a legislação de repasses das loterias ajudaram a financiar projetos, e o CT Paralímpico, legado dos Jogos do Rio, hoje abriga parte desse acervo. A homenagem aponta tanto o avanço quanto a dependência inicial de iniciativas individuais para levar atletas ao pódio — hoje somam-se 462 aparições no quadro paralímpico.