A dois minutos de entrar em quadra para a final do basquete masculino sub-18 dos Jogos Escolares Brasileiros, a delegação do Porãbask ficou em silêncio ao saber da morte de Oscar Schmidt. Ainda assim, do duelo contra o representante de São Paulo saiu uma vitória clara: 74 a 63, resultado que colocou pela primeira vez a equipe de Ponta Porã no lugar mais alto do pódio.
A ligação entre o ídolo e o clube é antiga. O treinador Hugo Costa montou o projeto social em 2004 em uma quadra improvisada na periferia — batizada como Meninos do Terrão — e, a partir de 2007, recebeu apoio direto de Oscar. O ex-jogador ajudou a angariar recursos, viabilizar a compra do terreno e a construção de um ginásio que hoje carrega seu nome.
A vitória teve sabor agridoce. Hugo, visivelmente emocionado, relembrou o esforço de anos e tratou o título como tributo ao incentivador. Os jogadores também viveram momentos pessoais: Rafael Cardozo pensou na mãe ao subir ao pódio; o pivô Samuel Menezes, cestinha da decisão com 30 pontos, projetou seguir na educação física. Para o projeto, a final serviu para reforçar sua missão de formar pessoas além de atletas.
Mais do que um troféu, o campeonato consolidou a transformação que o projeto trouxe à comunidade: geração de oportunidades, mudança de referências e profissionais formados em diversas áreas. A comemoração em quadra misturou alegria pela conquista e gratidão pela trajetória que, segundo a equipe, não teria sido possível sem o apoio de Oscar Schmidt.