O Paris Saint-Germain confirmou o bicampeonato da Liga dos Campeões em uma final decidida nos pênaltis contra o Arsenal, num duelo que ficará marcado mais pelo conjunto e pelas soluções táticas do que pelo brilho individual. Liderado por Luis Enrique, o time sustentou pressão alta e controle de posse, mas também se destacou por medidas pouco convencionais que alteraram o curso da competição.

O jogo teve um início adverso: Kai Havertz abriu o placar aos seis minutos na única finalização do Arsenal enquadrada a gol. O contexto mudou no segundo tempo, quando Dembélé tabelou com Kvaratskhelia, sofreu pênalti de Mosquera e converteu a cobrança que levou a decisão para as penalidades. A frieza psicológica da equipe ficou evidente: o clube venceu as últimas seis disputas por pênaltis em que participou, fator decisivo na consagração.

Mais do que as cobranças, a marca de Luis Enrique passou por invenções táticas replicadas ao longo da campanha. Na semifinal contra o Bayern, o PSG usou tiros de meta intencionalmente 'errados' — orientando o goleiro Safonov a direcionar jogadas às laterais — para forçar disputas e criar superioridade sobre alvos ofensivos como Olise. A estratégia deu resultado ao neutralizar pontos fortes do rival; contra o Arsenal, o gol precoce mudou os gatilhos necessários para repetir o padrão.

Outra característica do trabalho é a dispensa de hierarquias intocáveis: o treinador não hesita em substituir nomes de peso quando o jogo exige, como se viu nas trocas de Kvaratskhelia e Dembélé nas semifinais. A combinação de autoralidade tática, disciplina coletiva e leitura psicológica das partidas elevou Luis Enrique ao seleto grupo de treinadores bicampeões da Champions e redesenha a narrativa do PSG: um elenco que prefere mecanismos de equipe a uma ode ao estrelato individual.