Faltando dez dias para a Copa do Mundo, o técnico de Gana, Carlos Queiroz, manteve o suspense sobre a lista final e defendeu a presunção de inocência do volante Thomas Partey, alvo de acusações na Inglaterra. O treinador criticou o pré‑julgamento público e pediu que os processos sigam seu curso antes de decisões esportivas.
Partey, ex‑Arsenal e Atlético de Madrid, foi acusado por várias mulheres de crimes supostamente ocorridos entre 2021 e 2022, e enfrentou novas denúncias no ano passado e no começo deste ano. Em fevereiro, o jogador se declarou inocente perante um tribunal inglês. Em 2025 chegou a ser preso, mas foi solto sob fiança com a obrigação de não contatar as acusadoras e de informar mudanças de endereço ou viagens.
O episódio complicou a preparação ganesa. Queiroz não anunciou a lista antes do amistoso com o País de Gales e evitou dizer se cedeu a pressões externas. A Fifa vai publicar, nesta terça‑feira, as listas oficiais — Gana está no Grupo L, com Croácia, Inglaterra e Panamá, e estreia contra o Panamá em 17 de junho, em Toronto.
Além da dimensão jurídica, a decisão tem impacto prático: manter Partey provoca questionamentos sobre disciplina, imagem da seleção e logística, já que medidas judiciais podem limitar deslocamentos. Favorecer a presunção de inocência é princípio legal, mas a federação precisa calibrar transparência e o risco de distração às vésperas do Mundial.