A meia-maratona do Mundial de Marcha por Equipes, marcada para a manhã de domingo na Esplanada dos Ministérios, coloca o anfitrião Caio Bonfim em posição de destaque. Medalhista de prata em Paris-2024 e campeão mundial em 2025, Bonfim chega ao evento com a regularidade e a experiência que o mantêm entre os favoritos. Sua melhor marca nesta temporada, obtida em Kobe, é de 1h21min44s, desempenho que o credencia para brigas por pódio em casa.
O favoritismo brasileiro, contudo, encontra adversários de alto calibre. O japonês Toshikazu Yamanishi, recordista mundial da meia-maratona com 1h20min34s e bicampeão mundial dos 20km, é um rival natural. Apesar do retrospecto vitorioso, Yamanishi teve um episódio atípico no Mundial de Atletismo de 2025 — punição que o deixou em 28º — e isso expõe uma fragilidade técnica em provas de alto risco tático.
Bonfim chega com credenciais sólidas, mas enfrenta recordistas e seleções que podem transformar a prova em um teste coletivo.
A escola japonesa aparece como um bloco consistente: quatro dos dez melhores do ranking dos 20km são do país, o que traduz profundidade e capacidade de controlar ritmos coletivos. Espanha, Itália e China também chegam com carteiras robustas. A delegação espanhola aposta em nomes como Paul McGrath e Diego García Carrera; a Itália tem Francesco Fortunato, que iniciou a temporada em alta com recorde nos 5.000 m, e a China levou um quarteto com marcas recentemente abaixo de 1h24min.
O Canadá entra na disputa com Evan Dunfee, líder do ranking dos 35km, cuja experiência é valiosa mesmo em recuperação de lesão pré-temporada. A soma de veteranos com recordistas e equipes homogêneas transforma a prova em um duelo tanto individual quanto coletivo: o resultado por equipes dependerá da capacidade de cada seleção manter ritmo e evitar penalizações técnicas que podem ser decisivas.
Para Bonfim, correr em casa traz vantagem concreta — apoio, conhecimento do percurso e uma motivação extra —, mas também aumenta a pressão por resultado. Na leitura final, a disputa promete ser aberta: há quem tenha tempo para ameaçar o brasileiro individualmente e quem possa, pela consistência, disputar o lugar mais alto no pódio por equipes.
Punições técnicas e gestão de ritmo tendem a ser fatores decisivos na definição dos vencedores individuais e por equipes.