A CBF mudou as regras e vai reduzir, de forma gradual nos próximos anos, o número de estrangeiros permitidos nas listas das competições. A decisão altera a engenharia dos elencos e transforma a naturalização em instrumento prático para clubes e atletas: reduzirá vagas para estrangeiros e aumentará a pressão por processos que retirem jogadores da contagem.

Algumas situações já ocorreram na prática: o zagueiro Kannemann obteve cidadania brasileira neste ano, e o meia Arrascaeta iniciou o pedido de naturalização em 2023 — ele vive no Brasil desde 2015. Pela legislação, o requisito ordinário é residência contínua de quatro anos, além de ser maior de 18 anos, ter capacidade de comunicação em português e não ter condenação penal. O prazo pode cair para um ano se o jogador tiver filho nascido no país, for casado(a) com brasileiro(a) ou vier de nação lusófona.

A lista de atletas que já têm tempo suficiente para pleitear a cidadania inclui nomes que hoje ocupam papel relevante nos seus clubes: Gustavo Gómez, Piquerez, Flaco López (Palmeiras), Villasanti (Grêmio) e Germán Cano (Fluminense). Para além dos casos individuais, o cenário altera o mercado: naturalizações evitam o corte por limite de estrangeiros, mas também moldam escolhas de contratação e uso de vagas no elenco.

A mudança provoca um dilema prático: ela pode abrir espaço para mais jogadores formados no país, mas também incentivar soluções administrativas — naturalizar veteranos — que atenuem a intenção de reduzir a dependência de estrangeiros. Como resumiu Rizek: "Será que limitar o número de estrangeiros por regra ou imposição é a saída?" O debate se coloca entre ajuste de base, planejamento de contratações e a necessidade dos clubes de adaptar estratégias a uma nova regra.