Seis meses após a troca de comando técnico, o vice-executivo Rafinha admitiu que o clube pode ter errado o momento da demissão de Hernán Crespo. Em entrevista na zona mista do Morumbi, o dirigente reconheceu que a saída da comissão — tomada em março, quando o time ainda brigava pelas primeiras colocações do Brasileiro — talvez tenha sido precipitada e citou a necessidade de não se prender ao episódio.
A saída de Crespo desencadeou uma sequência de mudanças: Roger Machado assumiu e foi demitido em maio; atualmente Dorival Júnior comanda o time. Com a saída de Rui Costa, Rafinha ganhou espaço na gestão e passou a enfrentar de perto problemas internos, entre eles o atraso no pagamento de direitos de imagem aos jogadores, que já dura três meses, segundo o clube.
Sobre os efeitos práticos dessa crise financeira, Rafinha evitou relacionar diretamente o desempenho em campo aos atrasos, mas admitiu que o cenário atrapalha o dia a dia do elenco. Segundo o dirigente, jogadores tentam manter foco, mas questões salariais e disputas extracampo têm impacto operacional e emocional, algo presente em qualquer profissão diante de atrasos.
Com a eliminação precoce na Copa Sul-Americana, o São Paulo concentra-se apenas no Campeonato Brasileiro: são 12 rodadas restantes e a equipe ocupa a 11ª posição, com 33 pontos. Rafinha dispensou a meta dos 45 pontos defendida por Crespo no início da temporada e confirmou que o objetivo agora é buscar uma vaga em competição internacional, jogo a jogo.
O próximo compromisso do Tricolor é contra o Internacional, sábado às 21h, no Morumbi. A administração terá de alinhar respostas técnicas e financeiras nas próximas semanas: além de recuperar rendimento, o clube precisa recompor confiança interna e externa para que a temporada não se transforme em um custo político e esportivo maior.