Rafinha, recém-chegado à gerência esportiva do São Paulo, tentou transmitir calma aos sócios e torcedores ao reforçar a confiança no trabalho de Dorival Júnior. O dirigente recordou a parceria vitoriosa com o treinador em 2023 e avaliou que o técnico tem condição de recuperar o grupo depois de uma sequência de oito partidas sem vitória. A mensagem visa blindar a comissão técnica, mas também serve como aviso: a paciência terá limite se resultados e sinais de reação não aparecerem.

Na entrevista, Rafinha destacou que o clube está em processo de reestruturação e admitiu restrições às contratações neste momento. Desde sua chegada em janeiro, apenas um reforço — o atacante Artur — foi oficializado. O dirigente deixou claro que não decide sozinho sobre contratações, mas participa das discussões e opina nas escolhas. A defesa pública de Dorival e o pedido por compreensão da torcida dão pistas de que a diretoria tenta ganhar tempo enquanto ajusta o planejamento para a próxima janela.

O calendário também pesa sobre o planejamento: o São Paulo dará férias ao elenco durante a pausa da Copa do Mundo e pretende realizar dois amistosos para manter o ritmo. Jogadores como Luciano e Sabino só retornam ao trabalho após o recesso, o que limita alternativas imediatas para Dorival. A combinação de elenco em transição, ausência de reforços contundentes e sequência sem vitórias aumenta a pressão sobre a diretoria: há pouco espaço para falhas na janela que se aproxima.

A declaração de Rafinha funciona como um aceno interno e externo — apoio ao treinador e promessa de movimentação no mercado —, mas tem efeito prático somente se vier acompanhada por reforços pontuais e por mudança de performance. Se os sinais não vierem nos próximos jogos e na janela de transferências, a estratégia de apaziguar a torcida tende a se desgastar, ampliando cobrança sobre a gestão e sobre Dorival. O tempo para transformar confiança em resultados é curto.