Carlo Ancelotti incluiu Neymar na lista final da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, encerrando um período turbulento e irregular na carreira do atacante. O capitão não vestia a amarelinha desde 17 de outubro de 2023, quando sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior e lesão no menisco do joelho esquerdo contra o Uruguai. Desde então, passaram-se mais de 600 dias que misturam recuperação, retornos e novas contusões.
A trajetória pós-lesão teve episódios marcantes: 369 dias fora antes de voltar a atuar pelo Al-Hilal em 21 de outubro de 2024; uma lesão muscular na coxa direita em 4 de novembro daquele ano; e, nos meses seguintes, desgaste público com o treinador Jorge Jesus, que avaliou limitações físicas do jogador. Duas semanas depois da declaração, Neymar rescindiu com o clube saudita e anunciou retorno ao Santos.
No retorno ao futebol brasileiro, o atacante reestreou pelo Santos em 5 de fevereiro de 2025 — 93 dias após a lesão pelo Al-Hilal — e rapidamente retomou a condição de titular: entre Al-Hilal e Santos soma 45 partidas, 17 gols e 8 assistências. Ainda assim, a sequência foi interrompida por novas lesões musculares na coxa, ausência em jogos decisivos do Paulistão e polêmicas extracampo, como a participação em eventos pouco depois de lesões e a passagem pelo carnaval ao lado de colegas.
A convocação de Ancelotti repõe Neymar entre os intocáveis da Seleção, mas também amplia a cobrança sobre sua condição física e regularidade. O técnico ganha opções ofensivas, porém assume risco material: o camisa 10 precisa transformar recuperação em disponibilidade constante, sem que o histórico recente pese sobre a montagem do grupo e a estratégia para a competição.